...continuando...
- Estou pronta – disse a governanta.
- Muito bem, então vamos para o escritório acho que assim teremos mais privacidade. Disse ele levando o tabuleiro consigo.
Ambos entraram no cômodo, ele colocou o tabuleiro sobre a mesa, enquanto ela fechava a porta arás de si.
- Sei dos seus afazeres e não vou tomar muito o tempo da senhora – disse ele enfático. O que quero da senhora é muito simples, apenas me diga, com detalhes, o que fez e viu ontem durante a preparação do jantar e durante a noite.
- Sim senhor – respondeu ela com a voz ainda embargada – não acho que tenha sido um dia comum, foi muito corrido e ocupado. O senhor já tinha chegado e eu estava supervisionando a preparação do tal jantar como o senhor Arnold me pediu, e estava tudo correndo bem até que começaram a chegar os convidados e eu tinha que deixar de lado essa tarefa para recepcioná-los, mas logo em seguida eu voltava para a cozinha, não gosto de deixar o jantar por conta da cozinheira apenas, ainda mais em uma ocasião tão especial.
- O que tinha de tão especial? Indagou-a intrigado.
- Não sei, o senhor Arnold disse que seria especial e que nada poderia dar errado. Então fizemos tudo que tínhamos de melhor como o senhor mesmo pôde ver. Não sei o que poderia ter causado tal tragédia.
- Entendo. E por acaso a senhora lembra de mais alguém ter entrado na cozinha além da senhora e a cozinheira durante a preparação daquele jantar?
- Não, alias sim. Teve mais gente. O senhor entrou lá, não se lembra?
- Sim, claro. Mas além de mim alguém mais?
- Aquele rapaz, marido de Anabelle, Thomas. Disse ela sem muita certeza
- Theodore? Perguntou ele
- Theodore, exatamente.
- Por acaso há algum tipo de praga nessa casa Sra Miller?
- Não que eu saiba, alguns insetos aparecem na primavera e no verão, mas nunca nessa época do ano. Por quê? O senhor encontrou algum?
- Não, digo sim, ouvi uns barulhos que pareciam ratos ontem à noite e resolvi me certificar. Tenho pavor de ratos – justificou-se. A senhora pode ir desculpe por esse transtorno todo espero não ter atrapalhado demais o seu serviço.
- Não incomodou em nada, o senhor acha mesmo que foi assassinato?
- Não sei ainda, mas é possível. A senhora sabe de alguém que poderia fazer isso?
- Não, jamais. Ele era um homem muito bom – disse ela nervosa – não se preocupe com os ratos, a casa é dedetizada constantemente, com certeza o que ouviu foi algo da sua imaginação.
- Talvez, talvez.
A governanta saiu do quarto e Vincent olhou fixamente para o tabuleiro pegou um dos peões e olhou cuidadosamente. Depois de alguns minutos de reflexão Vincent ouviu um barulho vindo do lado de fora, parecia outra discussão entre Anabelle e o marido.
continua...
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