quarta-feira, 31 de março de 2010

Fascículo 4

Continuando ...

III
O jantar


Ainda antes do anoitecer naquele dia chegaria à casa de Arnold Haas o alemão amigo de Julliet, Allan Fritz. Ao entrar pelo portão da mansão viu Julliet colocando botões no rosto de um boneco de neve que ela acabara de fazer. Ele se aproximou e quando estava próximo pisou num graveto e assim que o frágil galho quebrou Julliet se virou para ele assustada, um susto que logo se transformaria em alegria. Ela então foi até ele e o abraçou.
- Você veio mesmo – disse ela visivelmente feliz
- Como recusar o pedido de uma pessoa tão encantadora – respondeu Allan sorrindo. Não sabia que era escultora – disse se referindo ao boneco de neve.
- Não sou, mas um boneco de neve no quintal é uma das coisas que mais me prendiam a atenção quando era mais nova. Venha, vou apresentá-lo para meu pai – disse ela puxando o rapaz pelo braço.
Arnold estava no escritório quando Julliet entrou animada.
- Papai, eu quero que conheça Allan Fritz, ele me acompanhou durante a viagem e eu o convidei para o jantar, espero que não se importe.
Arnold com uma expressão visivelmente carregada cumprimenta o rapaz.
- Claro minha filha problema algum. Se o rapaz é seu convidado será sempre bem vindo nesta casa – disse ele sorrindo para o convidado.
- Está tudo bem papai? Perguntou Julliet depois de ver que seu pai não estava mais com a mesma empolgação de minutos antes.
- Está sim queria, só uma indisposição, mas logo vai passar já tomei meu remédio – respondeu ele sorrindo e com a voz tranqüila.
Conforme as horas se passavam os empregados iam arrumando a casa para o jantar. Na escadaria principal, enfeites feitos com laços de fita amarela, a mesa de jantar posta com todos os tipos de talheres imagináveis para uma ocasião assim, os convidados todos se preparando, colocando suas roupas finas, exceto Julliet que já estava pronta e conversava animadamente com seu convidado na sala de estar em frente à lareira, que servia apenas para ilustrar a sala visto que a mansão possuía um moderno sistema de aquecimento central. Vincent Pall passou pela cozinha para observar o que estava sendo feito para o jantar seduzido pelo cheiro que exalava.
Ao sair da cozinha o detetive encontrou Theodore com cara de poucos amigos.
- Está tudo bem Sr. Baker? Perguntou o detetive
Theodore apenas olhou para Pall que insistiu ironicamente.
- Prove um desses canapés, estão deliciosos.
- Não tenho tempo para canapés estou com muitos problemas.
- Eu imagino – disse ele pensativo – eu imagino.
Antes de Theodore responder ao detetive Sra. Miller anuncia que o jantar será servido em breve. Vincent sobe para seu quarto e ouve Arnold discutindo com alguém ao telefone, no entanto em segundos ele sai do quarto com uma expressão tensa e ao ver o detetive tenta disfarçar e ambos descem para o jantar.
Sentam-se todos à mesa na cabeceira, como não podia deixar de ser, Arnold a sua direita Julliet e ao lado dela Allan, próximo ao alemão estava Vincent Pall e Bruce logo depois dele. À esquerda do anfitrião estavam Christine, Theodore, Anabelle e Lady Taylor. Para completar a mesa chagaria a casa o advogado de Arnold, William Foe.
Tudo transcorria bem e todos conversavam animadamente exceto Anabelle e o marido que ainda pareciam brigados, Christine contava suas experiências pela Inglaterra a Vincent Pall e Bruce Taylor, Julliet contava como conheceu Allan a Anabelle e Lady Taylor conversava sobre sua irmã com o advogado enquanto Arnold apenas observava a todos sem dizer uma palavra. Assim que todos terminaram o prato principal Arnold se levanta para anunciar o motivo da sua reunião.

terça-feira, 30 de março de 2010

Fascículo 3

Continuando...

II
A chegada


Depois de dois dias de viagem, finalmente Julliet se aproximava do seu destino. Allan agora era praticamente seu amigo, conversavam o tempo inteiro e ela descobriu que ele trabalhava para a marinha alemã como engenheiro naval e era especialista em fármacos, por ter trabalhado por muitos anos com a preparação de remédios numa fábrica suíça, ela soube também que a mãe dele, assim como seu pai, era refugiada de guerra e morava na Suíça e ele estava indo para lá visitá-la.
- Querida, estamos chegando à Suíça – disse Allan.
- Sim – assentiu ela com a cabeça baixa.
Ele pegou a mala de Julliet na cabine e levou até o táxi que a esperava.
- Vou te ver de novo? – perguntou ele
- Quando quiser, vou ficar na casa do meu pai todo o inverno, e como eu te disse esta noite teremos um jantar, eu adoraria que você fosse.
- Mas é um jantar em família algo muito intimo não seria educado eu aparecer por lá – disse ele colocando o casaco nos ombros de Julliet.
- Você é meu convidado – reforçou ela entrando no táxi.
O táxi seguiu e o rapaz o acompanhou com os olhos até perde-lo de vista.
- Pode até ser uma boa idéia – pensou ele com um sorriso no canto do rosto.


Vincent estava no jardim olhando as orquídeas e viu chegar um carro luxuoso preto de onde desceram um rapaz alto de terno e uma linda mulher logo depois dele. Ele reconheceu os traços da garota, era sem dúvida Anabelle, a sobrinha de Arnold, com o tal marido que também lhe lembrava alguém, porém não sabia quem. O casal entrou na casa enquanto o motorista tirava as malas do carro.
Ao entrar, Anabelle foi recebida pelo seu tio que já estava a aguardando.
- Anabelle, sempre linda minha sobrinha.
- Olá titio estava morrendo de saudades, faz muito tempo que não venho aqui, não tinha nem casado ainda não é? A propósito esse é Theodore Baker meu marido.
- Olá garoto, espero que esteja cuidando muito bem dessa menina – disse Arnold enquanto apertava a mão de Theodore.
- Também espero que esteja – respondeu o rapaz
Enquanto conversavam Vincent entrou na sala e logo foi introduzido ao casal pelo anfitrião, depois de uma breve apresentação o detetive trocou cartões com o advogado que logo depois foi levado ao quarto junto com a esposa pela sra Miller.
Cerca de uma hora depois chegaria à casa Lady Taylor com seu filho Bruce, ambos foram bem recepcionados e devidamente colocados em seus quartos.
- Bruce querido, não desarrume demais as suas malas, não pretendo ficar debaixo desse teto por mais de vinte e quatro horas – disse Lady Taylor.
- Não se preocupe mamãe nada de demoras voltaremos amanhã mesmo – respondeu o rapaz – será que Anabelle já chegou?
- Acho que sim, parece que vi o imprestável do marido dela entrando no quarto ao lado – respondeu ela.
- Mamãe pare de implicar tanto com Theodore ele é um bom rapaz.
Lady Taylor não respondeu com palavras à observação do filho, mas certamente ele sabia o que aquele olhar que ela lhe lançara queria dizer. Não falou mais no assunto e saiu do quarto da mãe para o seu. No caminho passou pelo quarto onde supostamente estaria a irmã, pensou em bater na porta, mas ouviu o casal discutindo e achou melhor não incomodar, eles pareciam exaltados. Bruce notou que Anabelle estava nervosa, mais do que o de costume. Vincent, no quarto da frente, abriu a porta para ver o que acontecia e viu o garoto ainda no corredor ouvindo à discussão, como se tratava apenas de uma briga de casal, o detetive cumprimentou Bruce e fechou sua porta.
Christine Smith chegou no fim da tarde, ela era uma artista plástica que estudou com Arnold e Vincent se formou em Londres, mas nunca fez muito sucesso casou-se com um ator de teatro e os dois viviam com o filho no sul da Inglaterra. Sempre se ouviu dizer que ela e Arnold tinham um caso, mas eles sempre negaram o tal fato.
- Christine querida quanto tempo – disse Arnold sorrindo
- Arnold você sempre tão gentil, obrigada pelo convite – respondeu ela educadamente. Qual a ocasião meu caro?
- É uma surpresa que quero compartilhar com todos, assim que Julliet chegar nos reuniremos para o jantar e falarei mais, venha vou lhe mostrar o seu quarto pessoalmente.
Passaram pela lareira, subiram as escadas e seguiram pelo corredor, a briga já havia acabado a essa altura e enquanto Arnold mostrava o quarto para sua convidada, Julliet chegava, de táxi, à casa.
- Quanto é a corrida meu senhor? – perguntou ela.
- 25 libras – respondeu o motorista.
- Aqui está, o senhor pode me ajudar a levar as malas?
- Sim madame.
Eles então levaram as malas da moça até a porta, de onde o motorista deu meia volta e partiu com seu carro.
- Novamente em casa – pensou Julliet enquanto tocava a campainha.
A melodia suave ressoou pela casa e instantes depois a Sra Miller abriu a porta e foi surpreendida pelo sorriso e o abraço de Julliet. A menina sempre teve na governanta a imagem de mãe, pois ela sempre ajudou Arnold na sua criação.
- Quem é que vai fazer minha comida predileta hoje? – perguntou Julliet animada
- Não sei não se você merece, você nem se importa mais comigo não vem mais me ver – respondeu a governanta. Mas como sou muito boba, já fiz tudo que você gosta pro jantar de hoje. – respondeu a governanta levando as malas para dentro.
Ouvindo uma voz familiar Arnold sai do quarto de Christine e vê a filha correndo pelo corredor em sua direção e assim que ela o abraçou, não pode deixar de lembrar dos tempos em que a pequena Julliet chegava da escola correndo direto para seu colo para que ele lhe contasse uma história. Emocionado pensou: - agora estamos todos aqui.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Fascículo 2

continuando...

- Senhor?
- Sim, Sra. Miller.
- O seu primeiro convidado chegou. É o Sr. Pall.
- Mande-o entrar por favor.
Vincent Pall era detetive particular e havia feito fortuna e sucesso há alguns anos, mas no momento andava fora de atividade. Entretanto, acumulou o suficiente durante sua vida toda para se manter nesse período mais inativo. Ele e Arnold Haas estudaram juntos no colégio na Inglaterra e sempre foram muito amigos. Arnold era um empresário alemão que fugiu com sua família, quando ainda era criança, para a Inglaterra por causa da guerra, e lá fez fortuna, constituiu família e teve uma filha. Sua esposa sofreu um acidente cinco anos depois do nascimento de Julliet e veio a falecer. Ele então se mudou para a Basiléia na Suíça de onde passou a gerenciar suas empresas automotivas.
Alguns minutos depois a porta abre e um homem de cabelos pretos e não muito alto entra no escritório. Ele olha tudo e vê que se trata de um lugar muito aconchegante e bonito, um carpete cor de vinho e duas paredes cheias de livros, no centro, uma mesa de madeira maciça trabalhada e atrás dela um homem nos seus cinqüenta anos de estatura mediana e com os cabelos já grisalhos.
- Arnold? – perguntou o visitante – como você envelheceu, disse o homem rindo.
- Olha só quem fala – respondeu o anfitrião dando um forte abraço no amigo – você tem que parar de pintar esse seu cabelo.
- Fiquei muito feliz, mas confesso não ter entendido o motivo do seu convite.
- Você vai entender meu caro, mas na hora certa, na hora certa. Agora vamos vou lhe mostrar a casa.
Depois de alguns minutos olhando a mansão, os móveis e os inúmeros quartos os dois amigos sentaram na sala de estar, em frente à lareira, e conversaram por mais alguns instantes enquanto iniciavam uma partida de xadrez.
- Então me diga Arnold quem mais virá para essa recepção que você está preparando? – perguntou Vincent Pall.
- Acredito que só os mais íntimos, minha filha Julliet, meus sobrinhos Anabelle e Bruce, e a mãe deles a tira colo, claro.
- Você não gosta mesmo dela não é?
- Nunca gostei, e nem ela de mim, ela achava que a irmã, minha querida Louise, não deveria se casar comigo, só sossegou quando casou com o tal coronel sei-lá-o-quê. Além deles acredito que Christine possa aparecer por aqui, lembra-se dela Vincent?
- Christine Smith? Como poderia esquecer, era uma linda garota nos nossos tempos de colégio, mas achei que vocês não tinham mais contato um com o outro – afirmou o detetive.
- Pois é, eu a reencontrei na estréia da peça de teatro de um amigo meu, conversamos muito e achei que deveria convidá-la. Explicou o empresário.
- Eu soube, na época, que vocês tiveram um caso, mas você nunca me respondeu se isso aconteceu ou não.
- Xeque!
- O quê?
- Xeque! Repetiu Arnold olhando para o tabuleiro fixamente
- Está desviando o assunto novamente? Indagou o detetive.
- Não, claro que não, mas às vezes pensamos que as peças estão sob controle quando não percebemos que há uma ameaça por trás de uma ação despretensiosa nem sempre podemos contar com os bispos ou as torres, Vincent, e se você não tem mais sua rainha para te proteger e te dar suporte você fica vulnerável demais e aí seus peões não suportam a pressão. Você se vê encurralado até que vem um cavalo e te dá o xeque-mate. – disse Arnold com a voz pesada.
- Espera um segundo, qual é o enigma, está acontecendo alguma coisa? Perguntou o detetive movendo o rei no tabuleiro.
- Não – respondeu o amigo com a voz doce – xeque-mate!


to be continued ...

domingo, 28 de março de 2010

Assassinato no tabuleiro de xadrez

Bom galera, faz MTO tempo que não posto nada aqui, mas resolvi colocar o meu "glorioso" livro a disposição para quem quiser ler, porém será igual aos dicionários que "compravamos" com o jornal há anos atrás: em fascículos kkkk e aqui vai a primeira parte =)

O assassinato no tabuleiro

Capitulo I

Um convite inesperado

Era fim de tarde na França e o expresso para a Suíça começava sua viagem. Julliet checava os detalhes de sua cabine, tudo estava em ordem era uma cabine luxuosa, paredes acolchoadas cor de marfim com material anti-ruído, banheiro exclusivo e um sofá-cama confortável. Ela arrumou as malas no compartimento acima da cama e desceu para o bar, a viagem seria longa. Ela sentia falta do pai, e estava feliz porque logo voltaria a vê-lo.
Ao chegar no bar, também muito luxuoso, Julliet foi ao balcão e pediu um Dry Martini. Antes que a bebida chegasse \viu um rapaz se aproximando, ele deveria ter por volta dos trinta anos, loiro, alto e com porte físico atlético. O rapaz pediu para sentar-se do lado de Julliet, pedido que foi prontamente atendido.
- Boa tarde - disse ele com uma voz arranhada e em um inglês carregado de sotaque. Como se chama a ilustre dama?
- Julliet – respondeu parecendo não dar muita atenção para a pergunta – e o senhor, como se chama?
- Allan Fritz, mas, por favor, deixe de lado o senhor, não acho que estou tão velho assim.
- Fritz? É Alemão? Perguntou ela demonstrando certo interesse.
- Sim, você conhece a Alemanha?
- Meu pai é de lá.
- E suponho que esteja indo estudar na Suíça, ou está indo só comprar chocolates para sua mãe?
- Não, na verdade meu pai mora na Suíça e é por causa dele que estou indo para lá, vou para passar o inverno com ele. Não sei o que planeja, mas ele garantiu que faria uma grande surpresa e mal posso esperar para reencontra-lo. Bom agora se o senhor me der licença vou me recolher, preciso descansar a viagem será longa.
- Tudo bem, dois dias passam rápido, mas espero encontrar com a senhorita mais algumas vezes antes de chegarmos à Suíça.
- Espero que sim – respondeu Julliet sem muita verdade.
Julliet voltou para a cabine onde sentou na cama e chorou. A menção de Allan à sua mãe fez com que um sentimento que ela não sentia a muito tempo aflorasse novamente, a saudade. Desde que sua mãe morreu Julliet se apegou muito ao pai e teve uma longa passagem por Oxford estudando administração, para poder voltar e cuidar dos negócios da família. Esse dia estava chegando, mas ela não esperava por esse inverno na Suíça, e não entendia o porquê desse convite repentino, seu pai nunca havia feito isso antes. Mas não estava em condições de pensar em nada, então se deitou e dormiu.


- Querido já está pronto? Disse Anabelle.
- Sim querida, já estou descendo - respondeu Theodore.
- Precisamos nos apressar o nosso carro já chegou não podemos nos atrasar o convite dizia que a recepção seria as 7h00 e você sabe como o titio é pontual
- Fique calma, chegaremos a tempo, você já descobriu o porquê dessa reunião tão urgente? – perguntou o marido enquanto entravam no carro.
- Não, segundo mamãe ele chamou algumas pessoas pra uma surpresa, deve ser mais alguma fábrica que ele comprou ou outra fazenda – disse a garota.
- E sua mãe também vai?
- Sim, ela vai com Bruce.
- Não entendo porque precisamos tanto ir a Suíça, o escritório está cheio de processos urgentes não há tempo pra viagens, tenho uma audiência e preciso estar pronto, preciso estudar o caso ainda.
- Não se preocupe querido vamos voltar a tempo.
O carro partiu rumo ao aeroporto.


...

aguardem em breve o segundo fascículo