terça-feira, 30 de março de 2010

Fascículo 3

Continuando...

II
A chegada


Depois de dois dias de viagem, finalmente Julliet se aproximava do seu destino. Allan agora era praticamente seu amigo, conversavam o tempo inteiro e ela descobriu que ele trabalhava para a marinha alemã como engenheiro naval e era especialista em fármacos, por ter trabalhado por muitos anos com a preparação de remédios numa fábrica suíça, ela soube também que a mãe dele, assim como seu pai, era refugiada de guerra e morava na Suíça e ele estava indo para lá visitá-la.
- Querida, estamos chegando à Suíça – disse Allan.
- Sim – assentiu ela com a cabeça baixa.
Ele pegou a mala de Julliet na cabine e levou até o táxi que a esperava.
- Vou te ver de novo? – perguntou ele
- Quando quiser, vou ficar na casa do meu pai todo o inverno, e como eu te disse esta noite teremos um jantar, eu adoraria que você fosse.
- Mas é um jantar em família algo muito intimo não seria educado eu aparecer por lá – disse ele colocando o casaco nos ombros de Julliet.
- Você é meu convidado – reforçou ela entrando no táxi.
O táxi seguiu e o rapaz o acompanhou com os olhos até perde-lo de vista.
- Pode até ser uma boa idéia – pensou ele com um sorriso no canto do rosto.


Vincent estava no jardim olhando as orquídeas e viu chegar um carro luxuoso preto de onde desceram um rapaz alto de terno e uma linda mulher logo depois dele. Ele reconheceu os traços da garota, era sem dúvida Anabelle, a sobrinha de Arnold, com o tal marido que também lhe lembrava alguém, porém não sabia quem. O casal entrou na casa enquanto o motorista tirava as malas do carro.
Ao entrar, Anabelle foi recebida pelo seu tio que já estava a aguardando.
- Anabelle, sempre linda minha sobrinha.
- Olá titio estava morrendo de saudades, faz muito tempo que não venho aqui, não tinha nem casado ainda não é? A propósito esse é Theodore Baker meu marido.
- Olá garoto, espero que esteja cuidando muito bem dessa menina – disse Arnold enquanto apertava a mão de Theodore.
- Também espero que esteja – respondeu o rapaz
Enquanto conversavam Vincent entrou na sala e logo foi introduzido ao casal pelo anfitrião, depois de uma breve apresentação o detetive trocou cartões com o advogado que logo depois foi levado ao quarto junto com a esposa pela sra Miller.
Cerca de uma hora depois chegaria à casa Lady Taylor com seu filho Bruce, ambos foram bem recepcionados e devidamente colocados em seus quartos.
- Bruce querido, não desarrume demais as suas malas, não pretendo ficar debaixo desse teto por mais de vinte e quatro horas – disse Lady Taylor.
- Não se preocupe mamãe nada de demoras voltaremos amanhã mesmo – respondeu o rapaz – será que Anabelle já chegou?
- Acho que sim, parece que vi o imprestável do marido dela entrando no quarto ao lado – respondeu ela.
- Mamãe pare de implicar tanto com Theodore ele é um bom rapaz.
Lady Taylor não respondeu com palavras à observação do filho, mas certamente ele sabia o que aquele olhar que ela lhe lançara queria dizer. Não falou mais no assunto e saiu do quarto da mãe para o seu. No caminho passou pelo quarto onde supostamente estaria a irmã, pensou em bater na porta, mas ouviu o casal discutindo e achou melhor não incomodar, eles pareciam exaltados. Bruce notou que Anabelle estava nervosa, mais do que o de costume. Vincent, no quarto da frente, abriu a porta para ver o que acontecia e viu o garoto ainda no corredor ouvindo à discussão, como se tratava apenas de uma briga de casal, o detetive cumprimentou Bruce e fechou sua porta.
Christine Smith chegou no fim da tarde, ela era uma artista plástica que estudou com Arnold e Vincent se formou em Londres, mas nunca fez muito sucesso casou-se com um ator de teatro e os dois viviam com o filho no sul da Inglaterra. Sempre se ouviu dizer que ela e Arnold tinham um caso, mas eles sempre negaram o tal fato.
- Christine querida quanto tempo – disse Arnold sorrindo
- Arnold você sempre tão gentil, obrigada pelo convite – respondeu ela educadamente. Qual a ocasião meu caro?
- É uma surpresa que quero compartilhar com todos, assim que Julliet chegar nos reuniremos para o jantar e falarei mais, venha vou lhe mostrar o seu quarto pessoalmente.
Passaram pela lareira, subiram as escadas e seguiram pelo corredor, a briga já havia acabado a essa altura e enquanto Arnold mostrava o quarto para sua convidada, Julliet chegava, de táxi, à casa.
- Quanto é a corrida meu senhor? – perguntou ela.
- 25 libras – respondeu o motorista.
- Aqui está, o senhor pode me ajudar a levar as malas?
- Sim madame.
Eles então levaram as malas da moça até a porta, de onde o motorista deu meia volta e partiu com seu carro.
- Novamente em casa – pensou Julliet enquanto tocava a campainha.
A melodia suave ressoou pela casa e instantes depois a Sra Miller abriu a porta e foi surpreendida pelo sorriso e o abraço de Julliet. A menina sempre teve na governanta a imagem de mãe, pois ela sempre ajudou Arnold na sua criação.
- Quem é que vai fazer minha comida predileta hoje? – perguntou Julliet animada
- Não sei não se você merece, você nem se importa mais comigo não vem mais me ver – respondeu a governanta. Mas como sou muito boba, já fiz tudo que você gosta pro jantar de hoje. – respondeu a governanta levando as malas para dentro.
Ouvindo uma voz familiar Arnold sai do quarto de Christine e vê a filha correndo pelo corredor em sua direção e assim que ela o abraçou, não pode deixar de lembrar dos tempos em que a pequena Julliet chegava da escola correndo direto para seu colo para que ele lhe contasse uma história. Emocionado pensou: - agora estamos todos aqui.

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