segunda-feira, 29 de março de 2010

Fascículo 2

continuando...

- Senhor?
- Sim, Sra. Miller.
- O seu primeiro convidado chegou. É o Sr. Pall.
- Mande-o entrar por favor.
Vincent Pall era detetive particular e havia feito fortuna e sucesso há alguns anos, mas no momento andava fora de atividade. Entretanto, acumulou o suficiente durante sua vida toda para se manter nesse período mais inativo. Ele e Arnold Haas estudaram juntos no colégio na Inglaterra e sempre foram muito amigos. Arnold era um empresário alemão que fugiu com sua família, quando ainda era criança, para a Inglaterra por causa da guerra, e lá fez fortuna, constituiu família e teve uma filha. Sua esposa sofreu um acidente cinco anos depois do nascimento de Julliet e veio a falecer. Ele então se mudou para a Basiléia na Suíça de onde passou a gerenciar suas empresas automotivas.
Alguns minutos depois a porta abre e um homem de cabelos pretos e não muito alto entra no escritório. Ele olha tudo e vê que se trata de um lugar muito aconchegante e bonito, um carpete cor de vinho e duas paredes cheias de livros, no centro, uma mesa de madeira maciça trabalhada e atrás dela um homem nos seus cinqüenta anos de estatura mediana e com os cabelos já grisalhos.
- Arnold? – perguntou o visitante – como você envelheceu, disse o homem rindo.
- Olha só quem fala – respondeu o anfitrião dando um forte abraço no amigo – você tem que parar de pintar esse seu cabelo.
- Fiquei muito feliz, mas confesso não ter entendido o motivo do seu convite.
- Você vai entender meu caro, mas na hora certa, na hora certa. Agora vamos vou lhe mostrar a casa.
Depois de alguns minutos olhando a mansão, os móveis e os inúmeros quartos os dois amigos sentaram na sala de estar, em frente à lareira, e conversaram por mais alguns instantes enquanto iniciavam uma partida de xadrez.
- Então me diga Arnold quem mais virá para essa recepção que você está preparando? – perguntou Vincent Pall.
- Acredito que só os mais íntimos, minha filha Julliet, meus sobrinhos Anabelle e Bruce, e a mãe deles a tira colo, claro.
- Você não gosta mesmo dela não é?
- Nunca gostei, e nem ela de mim, ela achava que a irmã, minha querida Louise, não deveria se casar comigo, só sossegou quando casou com o tal coronel sei-lá-o-quê. Além deles acredito que Christine possa aparecer por aqui, lembra-se dela Vincent?
- Christine Smith? Como poderia esquecer, era uma linda garota nos nossos tempos de colégio, mas achei que vocês não tinham mais contato um com o outro – afirmou o detetive.
- Pois é, eu a reencontrei na estréia da peça de teatro de um amigo meu, conversamos muito e achei que deveria convidá-la. Explicou o empresário.
- Eu soube, na época, que vocês tiveram um caso, mas você nunca me respondeu se isso aconteceu ou não.
- Xeque!
- O quê?
- Xeque! Repetiu Arnold olhando para o tabuleiro fixamente
- Está desviando o assunto novamente? Indagou o detetive.
- Não, claro que não, mas às vezes pensamos que as peças estão sob controle quando não percebemos que há uma ameaça por trás de uma ação despretensiosa nem sempre podemos contar com os bispos ou as torres, Vincent, e se você não tem mais sua rainha para te proteger e te dar suporte você fica vulnerável demais e aí seus peões não suportam a pressão. Você se vê encurralado até que vem um cavalo e te dá o xeque-mate. – disse Arnold com a voz pesada.
- Espera um segundo, qual é o enigma, está acontecendo alguma coisa? Perguntou o detetive movendo o rei no tabuleiro.
- Não – respondeu o amigo com a voz doce – xeque-mate!


to be continued ...

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